Noites as claras,
pensamentos no passado;
pesadelo visível e imutável.
Sempre na mesma janela de madrugada,
escondida durante o dia;
trancafiada a noite.
Permaneço pegando o ventinho gelado,
pendurada na ponta da janela;
esperando alguém dar o empurrãozinho que me condena.
Eu consigo fingir muito bem para aqueles que se importam,
ninguém desconfia,
ninguém acredita;
ninguém sabe de nada.
E eu só não finjo para o culpado,
para os amigos;
para os mais ligados.
Eu deitei em minhas lágrimas por anos e anos,
convivi com as imensas olheiras,
as feridas mentais e físicas;
os diversos papéis com o mesmo tipo de triste poesia.
O jeito mórbito que enxergo,
a caverna que me escondo;
a escuridão em que me encontro.
Sorrir aqui é mentir para o espelho,
é a tentativa de não achar defeito.
O meu esconderijo me declara;
Declara-me uma fiel seguidora de mágoas.
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